O CPRB na base do PIS e da Cofins foi objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recursos repetitivos. A Corte negou a possibilidade de excluir a Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta da base de cálculo das contribuições.
A decisão ganha relevância porque deverá ser observada pelo Judiciário nos processos que discutem a mesma questão, trazendo maior previsibilidade para empresas que utilizam a CPRB.
O que o STJ decidiu sobre a CPRB na base do PIS e da Cofins?
A discussão envolve a possibilidade de retirar o valor recolhido a título de CPRB da base de cálculo do PIS e da Cofins.
A tese defendida pelos contribuintes parte de uma lógica semelhante à discussão que levou à exclusão do ICMS da base do PIS e da Cofins: se determinado valor não representa receita própria da empresa, não deveria compor a base dessas contribuições.
O STJ, porém, não acolheu esse entendimento.
Com a decisão em recursos repetitivos, fica consolidado o entendimento de que a CPRB integra a base de cálculo do PIS e da Cofins.
A discussão foi analisada no Tema Repetitivo 1.276 do STJ, que tratava justamente da possibilidade de exclusão da contribuição previdenciária substitutiva incidente sobre a receita bruta da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.
Por que essa decisão importa para as empresas?
O principal efeito é a redução do espaço para discutir judicialmente a exclusão da CPRB da base do PIS e da Cofins.
Para empresas que utilizam a contribuição previdenciária sobre a receita bruta, isso significa a manutenção da sistemática atual de apuração dessas contribuições, sem a possibilidade de retirar a CPRB da base para reduzir o valor devido.
Na prática, a decisão pode produzir efeitos em diferentes frentes:
- Carga tributária: mantém a CPRB compondo a base do PIS e da Cofins;
- Fluxo de caixa: impede, para essa discussão, a redução do desembolso tributário pretendida por empresas que buscavam a exclusão;
- Planejamento tributário: reduz a possibilidade de utilizar essa tese como estratégia de economia tributária;
- Contencioso: processos sobre a mesma questão passam a ter um parâmetro vinculante para as instâncias inferiores;
- Segurança jurídica: a definição do STJ aumenta a previsibilidade sobre o tratamento tributário da CPRB.
O impacto tende a ser mais relevante para empresas com faturamento expressivo e que adotam a CPRB como alternativa à contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamentos.
Qual é a relação com a chamada “tese do século”?
A discussão sobre a CPRB não deve ser confundida com a tese do século, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins.
Embora as duas discussões envolvam o conceito de receita e a composição da base de cálculo, são situações jurídicas distintas.
No caso da CPRB, o entendimento utilizado pelo STJ considera a definição de receita bruta prevista no art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/1977, com as alterações promovidas pela Lei nº 12.973/2014.
A jurisprudência do STJ já vinha reconhecendo a inclusão da CPRB nas bases do PIS e da Cofins. Em julgamentos anteriores, a Corte também considerou que a discussão não poderia ser resolvida simplesmente pela aplicação, por analogia, do entendimento firmado pelo STF no Tema 69.
A nova decisão em repetitivo dá maior força a essa orientação.
O que muda para empresas que utilizam a CPRB?
Para as empresas que atualmente calculam a contribuição previdenciária sobre a receita bruta, o principal ponto de atenção é revisar eventuais estratégias tributárias baseadas na exclusão da CPRB da base do PIS e da Cofins.
Empresas que possuem ações judiciais sobre o tema também devem avaliar os efeitos da decisão sobre seus processos.
Isso inclui verificar:
- existência de ação judicial ou mandado de segurança sobre a tese;
- utilização de decisões liminares ou sentenças favoráveis;
- valores eventualmente compensados com base na discussão;
- necessidade de adequação dos procedimentos fiscais;
- reflexos em PER/DCOMP e demais obrigações relacionadas às compensações;
- existência de provisões contábeis vinculadas ao processo.
O cuidado é especialmente importante quando a empresa já vinha utilizando a tese para reduzir o recolhimento ou realizar compensações tributárias.
Impactos no planejamento tributário
A decisão também reforça a necessidade de separar teses tributárias ainda em discussão de oportunidades efetivamente consolidadas.
Uma estratégia baseada em determinada interpretação pode apresentar impacto financeiro relevante enquanto está em disputa. Quando o tribunal superior define a questão em julgamento repetitivo, entretanto, o cenário muda.
Para as empresas, isso significa revisar o planejamento considerando não apenas a possibilidade de economia tributária, mas também o risco de manutenção ou reversão de procedimentos adotados.
No caso da CPRB, a análise deve considerar ainda que a própria opção por esse regime possui impacto econômico. Dependendo da atividade e da estrutura da empresa, a contribuição sobre a receita pode apresentar vantagem ou desvantagem em comparação com a sistemática baseada na folha de pagamentos.
Por isso, a decisão do STJ não deve ser analisada isoladamente. Ela precisa ser inserida em uma avaliação mais ampla da carga tributária e do modelo de contribuição adotado pela empresa.
O que as empresas devem fazer agora?
A decisão recomenda uma revisão das estratégias que envolvam a CPRB na base do PIS e da Cofins, principalmente para empresas que possuem discussão judicial ou administrativa sobre o assunto.
Entre as medidas que podem ser avaliadas estão:
- Revisar processos judiciais que discutam a exclusão da CPRB da base do PIS e da Cofins;
- Verificar compensações realizadas com fundamento nessa tese;
- Reavaliar provisões e contingências relacionadas ao tema;
- Atualizar os cálculos tributários considerando a manutenção da CPRB na base das contribuições;
- Revisar o planejamento tributário, especialmente em empresas que adotam a CPRB;
- Avaliar os impactos financeiros da decisão sobre margem, caixa e projeções tributárias.
A decisão também reforça a importância de acompanhar os efeitos dos julgamentos repetitivos sobre processos já em andamento, especialmente porque o entendimento firmado pelo STJ deverá orientar as decisões das demais instâncias.
A definição do STJ sobre a CPRB na base do PIS e da Cofins traz maior segurança jurídica sobre uma discussão que vinha sendo levada ao Judiciário por empresas que buscavam reduzir a carga tributária por meio da exclusão da contribuição da base de cálculo.
Para as empresas, o principal efeito é prático: a CPRB permanece compondo a base do PIS e da Cofins, reduzindo o espaço para utilização dessa tese como estratégia de economia tributária.
Mais do que acompanhar a decisão, é importante avaliar como ela afeta processos judiciais, compensações, provisões e o próprio planejamento tributário da empresa.
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