O Polo Industrial de Manaus alcançou US$ 23,5 bilhões em faturamento no primeiro semestre de 2026, o maior resultado para o período em sua história. O desempenho ocorre em paralelo à aprovação de 45 novos projetos pelo Codam, que representam mais de R$ 1 bilhão em investimentos.
Os números reforçam a relevância da indústria amazonense, mas também evidenciam desafios que podem afetar a competitividade das empresas, especialmente em logística, custos de transporte e infraestrutura.
Polo Industrial de Manaus mantém ritmo de expansão
Durante a 321ª Reunião Ordinária do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), foram aprovados 45 projetos industriais.
Desse total:
- 25 projetos estão relacionados à produção de bens finais;
- 20 correspondem a bens intermediários;
- 22 são projetos de implantação;
- 21 envolvem diversificação;
- 2 estão relacionados à atualização.
Os investimentos superam R$ 1 bilhão e têm previsão inicial de geração de 1.081 novos postos de trabalho. Considerando empregos diretos, indiretos e mão de obra remanejada, o impacto estimado chega a 1.355 postos novos ou mantidos.
Entre os projetos aprovados, um dos principais destaques é o da TCL, com previsão de R$ 651 milhões em investimentos e 256 novos empregos para a fabricação de telefones celulares e computadores portáteis.
Também foram aprovados projetos da Zincofer e da Multilaser, com investimentos de R$ 42 milhões e R$ 50 milhões, respectivamente.
Com a nova pauta, o Codam chegou a 214 projetos aprovados em 2026, acima dos 189 registrados no mesmo período de 2025.
Faturamento do PIM atinge recorde no primeiro semestre
O avanço dos investimentos acompanha o desempenho econômico do Polo Industrial de Manaus.
Entre janeiro e junho de 2026, o PIM registrou US$ 23,5 bilhões em faturamento, crescimento de 20% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo os dados apresentados na reunião, trata-se do maior faturamento registrado em um primeiro semestre na história do Polo.
O estoque de investimentos também alcançou aproximadamente US$ 11 bilhões.
Entre os principais segmentos estão:
- Eletroeletrônico e bens de informática: aproximadamente 38% do faturamento;
- Duas rodas: 19,76%;
- Químico: 10,85%;
- Termoplástico: 10,51%;
- Metalúrgico: 8,77%;
- Mecânico: 6,29%.
Juntos, esses setores representam mais de 94% do faturamento do Polo.
As motocicletas respondem por 16,3% do faturamento, enquanto televisores LCD, telefones celulares, aparelhos de ar-condicionado, placas de circuito impresso e concentrados também aparecem entre os principais produtos fabricados.
Emprego também acompanha o crescimento
O mercado de trabalho industrial apresenta trajetória semelhante.
O Amazonas possui 575.359 empregos formais. No PIM, a média de trabalhadores em 2026 chegou a aproximadamente 131 mil, também considerada a maior média histórica apresentada na reunião.
O dado mostra que o desempenho industrial não se limita ao faturamento. O crescimento da produção movimenta fornecedores, serviços, comércio e toda a cadeia relacionada à atividade industrial.
Logística continua sendo um ponto de atenção
Apesar dos indicadores positivos, existe um fator que pode pressionar custos e reduzir a competitividade das empresas instaladas no Amazonas: a logística.
Durante a reunião do Codam, representantes do setor produtivo questionaram o aumento dos custos de transporte durante o período de estiagem.
A chamada “taxa de pouca água” teria alcançado valores superiores a US$ 4.500 por contêiner, diante de cobranças que anteriormente ficavam na faixa de US$ 400 a US$ 500.
O impacto merece atenção porque a logística representa um componente relevante da estrutura de custos das empresas que dependem do transporte de insumos e produtos.
Impacto no caixa e no faturamento
Uma elevação significativa do frete pode gerar efeitos em diferentes etapas da operação:
- aumento do custo de aquisição de insumos;
- pressão sobre margens de lucro;
- necessidade de capital de giro adicional;
- aumento dos preços ao consumidor;
- perda de competitividade diante de concorrentes de outras regiões.
O problema ganha ainda mais relevância porque aproximadamente 60% dos insumos utilizados pelo PIM vêm do exterior. Outros 20% são de origem nacional e 20%, regional, embora os números mais recentes apresentados na reunião indiquem participação de 22% nacional e 17% regional.
Nesse cenário, qualquer aumento relevante no custo logístico pode repercutir diretamente na formação do preço e na rentabilidade das operações.
Competitividade depende de infraestrutura
A discussão sobre logística também colocou a infraestrutura no centro da agenda empresarial.
Representantes do setor produtivo defenderam medidas permanentes para melhorar a navegabilidade dos rios, como dragagem contínua e sinalização adequada.
A BR-319 também foi apontada como alternativa para reduzir a dependência do transporte aquaviário durante períodos de vazante.
Para as empresas, o ponto central é que infraestrutura não representa apenas uma questão pública. Ela interfere diretamente no planejamento operacional, na previsibilidade dos custos e na capacidade de competir em mercados nacionais.
O que as empresas devem observar?
O cenário apresentado pelo Codam combina oportunidades de expansão com desafios que precisam entrar no planejamento empresarial.
Impacto no negócio
- O aumento dos investimentos pode ampliar oportunidades para fornecedores e prestadores de serviços ligados à indústria.
- A expansão do PIM pode estimular novas cadeias produtivas e investimentos no Amazonas.
- Por outro lado, custos logísticos elevados podem pressionar margens e comprometer a previsibilidade financeira.
- Empresas dependentes de insumos importados devem acompanhar de perto os efeitos das variações no transporte.
Compliance e planejamento tributário
O crescimento das operações também exige atenção à estrutura tributária das empresas.
A expansão de investimentos, produção e circulação de mercadorias pode modificar o perfil das operações e exigir revisão de processos fiscais, controles e documentação.
Para empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, esse acompanhamento ganha relevância diante da necessidade de avaliar continuamente os benefícios aplicáveis, os requisitos para sua manutenção e os impactos das mudanças no ambiente tributário.
Oportunidades e desafios caminham juntos
O desempenho do Polo Industrial de Manaus mostra um ambiente de forte atividade econômica em 2026.
Ao mesmo tempo em que novos investimentos chegam ao Estado e o faturamento alcança níveis históricos, questões estruturais como logística, transporte e infraestrutura permanecem no radar das empresas.
Para o setor produtivo, o desafio é transformar o crescimento em competitividade sustentável. Isso depende não apenas da capacidade de produção, mas também de previsibilidade de custos, segurança tributária e eficiência operacional.
O desempenho do Polo Industrial de Manaus reforça a força da indústria amazonense e demonstra que existe espaço para novos investimentos e expansão das atividades produtivas.
Mas crescimento também exige planejamento. Empresas que atuam no Amazonas precisam acompanhar não apenas os indicadores de mercado, mas também os custos logísticos, a infraestrutura disponível e os reflexos tributários de suas operações.
Nesse ambiente, uma análise estruturada pode ajudar a identificar riscos, preservar benefícios e apoiar decisões mais seguras sobre investimentos e expansão.
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